Missionárias Combonianas
Provincia Moçambique-Africa do Sul (MOSA)

 

Nampula, Moçambique
FERMENTO DE VIDA

No norte de Moçambique, a 25 km na cidade de Nampula, encontramos o maior centro de refugiados de Moçambique, Maratane. Ir. Carmelina Telesca, missionária Comboniana, trabalha com eles desde 2003 e conta para nós, o seu sentir no meio deles.
Maratane desde 2001 acolhe pessoas vindas do Congo, Burundi, Ruanda, Etiópia, Sudão, Somalia. Actualmente são aproximadamente 12000 refugiados que vivem lá em condições precárias e a espera de ser transferido a outro país, ou ficar em Moçambique como cidadãos legais.
Quando me pedem notícias destes nossos irmãos refugiados que se encontram no campo de Maratane, pessoalmente eu sinto-me sempre perplexa, porque para mim não são uma categoria  de pessoas desconhecidas  que tiveram que fugir dos seus países, mas são pessoas concretas rostos de mulheres, homens, crianças; cada uma com uma história sagrada.
Neste tempo, estou entre duas visões contraditórias em relação aos refugiados. Nos meios de comunicação vejo uma realidade de barbárie, de falta de humanidade, de pouca solidariedade, de egoísmo em relação a esses nossos irmãos. Isto, me interpela, me causa dor essas ondas de rejeição para com os imigrantes por parte dos países da Europa, mesmo que há sinais, e não poucos de solidariedade, e de humanidade de algumas pessoas da sociedade civil e religiosa. Por outro lado em Maratane com os refugiados, que também são imigrantes de tantos países (congoleses, burundeses, ruandeses, sudaneses, etiópicos) vivo outras experiências, na quais vejo uma humanidade que me faz ver e sentir a imagem de Deus, nosso Pai. 
Nelson é um burundese que foi   agredido pelos bandidos na cidade de Nampula onde tinha ido para procurar trabalho. Chegou em Maratane em tristes condições, se deitou no chão e pediu ajuda a um senhor que passava naquele lugar, era um médico congolês. Como o bom samaritano, levou-o no hospital e o acolheu na sua casa. Ele tem cinco filhos e com poucas condições de alojamento, mas igualmente não recusou de acolher o Nelson, até que as autoridades do campo proporcionaram o devido inserimento.
Gestos de solidariedade vejo diariamente e me interpelam bastante. Na verdade entre os marginalizados existe ainda uma sensibilidade humana e cristã que alimenta a esperança num futuro diferente e melhor.
Fátima é uma jovem moçambicana, órfã e abandonada dos familiares, foi acolhida por uma família congolesa. Agora é mãe duma criança de poucos meses e vive no campo.

Com certeza as condições no campo de Maratane continuam sendo precárias, mas o fermento de vida e de empenho para que todos tenham vida digna se dá, não só através da ajuda que vem dos missionários, das Ongs e das autoridades, senão na partilha, na solidariedade, e na fraternidade que mostram os imigrantes, para acolher outros em iguais ou piores condições que a deles próprios.
Ir. Carmelina Tedesca