Missionárias Combonianas
Provincia Moçambique-Africa do Sul (MOSA)

Mulher

 

O problema de sempre

O século XXI caracteriza-se pela defesa dos direitos humanos e, gostemos ou não, há quem assuma posições a favor de temas polémicos como o aborto, a eutanásia, a clonagem, etc., o que fazem argumentando com a liberdade da pessoa, a protecção do género, a defesa da liberdade de decisão da mulher, etc.
Mas, quando uma jovem mulher fica grávida, a culpa recai sobre ela. Não é, porventura, questão de dois? Porque não se tem feito então nada contra a irresponsabilidade do homem que engravidou a jovem? Deus deu o dom e a capacidade à mulher de gerar vida, e confiou aos dois a protecção e a custódia dos filhos, mandato que muitos homens têm esquecido. Pergunto a mim mesma o que se passaria se a situação fosse a oposta, isto é, se fosse o homem a levar no seu ventre nove meses o filho, proporcionando-lhe alimento e cuidado desde a sua concepção. Depois do nascimento, abandonaria os seus sonhos de ser profissional para assumir responsabilidades para com o filho? Quem sabe se isto traria maior cuidado nas relações sexuais de muitos jovens que as praticam por diversão e prazer sem meditar na responsabilidade que isto traz.

A prática voluntariosa e irresponsável das relações sexuais tem destruído muitas vidas e paralisado o futuro de muitas jovens que têm de abandonar, ou no melhor dos casos, adiar a sua formação para cuidar de um filho concebido sem planificação, sem amor, nascido por descuido e que sentirá estas consequências na sua vida adulta. Ontem, uma criança; hoje, mãe: o que se passa nos nossos dias? Progredimos em tecnologia, mas regredimos em raciocínio.
Raquel saiu da escola por estar grávida, assim como Matilde e Fulana, mas esta abortou para poder continuar os estudos. Desta maneira, a escola perde alunas e os hospitais ganham pacientes, quando actualmente a mortalidade infantil em Moçambique é de 390/100 000 nados-vivos. Várias são as causas, e uma das principais é a gravidez precoce. Homens e mulheres são autores deste retrocesso e paralisação de um futuro mais prometedor para as suas famílias e para o país.
Num país pobre como Moçambique, onde 55 % da população vive com menos de um dólar por dia, esta situação de abandono escolar por gravidez prematura é um obstáculo ao desenvolvimento do país. Nem os partidos políticos nem os megaprojectos poderão ajudar neste cenário, porque as pessoas analfabetas e sem formação adequada se tornam cidadãos de segunda ou terceira classe, o povinho de que se aproveitaram os maus políticos, pois dificilmente poderão tomar o leme do seu país ou ajudar na sua governação como cidadãos e cidadãs conscientes, como líderes capazes.
É triste comprovar que moçambicanas e moçambicanos jovens não conseguem trabalho por falta de preparação académica. Se na cultura e na sociedade moçambicana se continua a promover a prática sexual como um direito, que naturalmente o é (no seu devido tempo); se se continuar a usar paliativos que não resolvem a situação, apenas se incrementará os casos de mães adolescentes com pouca formação, que engrossarão as fileiras dos trabalhadores manuais desqualificados, mão-de-obra barata, dependentes sempre de outros mais preparados profissionalmente, estrangeiros ou nacionais, mas na sua maioria homens.
Trazer filhos ao mundo é uma alegria, uma bênção, para o nihimo (família) e a sociedade. Tudo, porém, no seu devido tempo, respeitando os seus processos para evitar doenças, mortes, frustrações. Ser pai e mãe exige preparação, condições físicas, psicológicas, responsabilidade. Aumentar a pobreza com filhos não esperados por quem não sabe das suas responsabilidades é aumentar a dependência, a mendicidade, a frustração. Matar um ser inocente não é a solução, pois o que nos faz seres humanos não é a morte, senão o amor, a ternura, o respeito. Por isso, é melhor reconhecer as nossas debilidades, sejam culturais, sociais ou de género, para encontrar caminhos que ajudem a mulher a realizar os seus sonhos, como também ajudar a formar os homens no respeito e nas limitações que devem ter para com o sexo oposto.

Elizabeth Carrillo